Ricardo da Fonseca é médico (CRM-PR 37635) e legista perito oficial criminal da Polícia Científica.
Antes de aprender a suturar uma ferida, aprendi a rezar um terço. Cresci indo à missa com a família, e foi ali, no silêncio antes da consagração, que recebi minha primeira formação, não técnica, moral.
Passei pelo grupo de jovens da paróquia, fui catequista de crisma, servi nos grupos de liturgia. Hoje, continuo essa caminhada: estudo e me aprofundo na espiritualidade inaciana através da CVX, a Comunidade de Vida Cristã.
Não é currículo de político. É rotina de quem acredita que fé sem obra é fé morta, e que cada domingo cobra de você uma pergunta simples: o que você fez, essa semana, pelo próximo?
É desse lugar, não de um gabinete, não de um manual de retórica, que vem o meu espanto diante da corrupção.
Não é só espanto técnico, de quem vê recurso público desviado. É espanto moral. Porque eu aprendi, que cada ato tem peso diante de Deus. E vejo homens que assinam uma caneta, cortam um orçamento, fecham os olhos para uma fila de espera e dormem tranquilos.
Vejo famílias inteiras pagando a conta de decisões tomadas por gente que nunca vai sentar à mesa delas. Vejo empresários honestos, que erguem empresa, geram emprego e pagam imposto sem trapacear, sendo tratados como suspeitos por um Estado que trata o privilégio como normalidade.
Isso não é só má gestão. É insensibilidade. É a ausência do temor que deveria acompanhar todo poder, o temor de que, um dia, cada um de nós vai prestar contas do que fez com o que lhe foi confiado.

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De onde veio o Ricardo da Fonseca?
Cresci em uma vila no interior do Rio de Janeiro, numa família católica que me ensinou duas coisas antes de qualquer manual escolar: trabalho tem valor, e ninguém deve nada a você de graça.
Estudei muitos anos em escola estadual, sem atalhos. Aos 16 anos, fui aprovado em Medicina na UFRJ, não porque o sistema me abriu uma porta especial, mas porque estudei mais do que a média pedia.
Vieram sete anos de residência médica: Cirurgia Geral. Cirurgia Plástica. Cirurgia Plástica Pediátrica. Cirurgia Craniofacial. Não escolhi o caminho mais curto nem o mais rentável, escolhi o que me permitiria consertar o que a vida tinha quebrado em crianças com malformações e em vítimas de traumas faciais. Gente que não pode esperar a burocracia decidir se merece ser atendida.
Trabalhei em hospitais públicos no Rio, em São Paulo, em Curitiba. E aqui está algo que poucos políticos vão te contar: o SUS pode funcionar. Eu vi funcionar.
Com uma equipe séria e comprometida, zeramos filas cirúrgicas que pareciam impossíveis de zerar. Não foi mágica, foi gestão, foi ética de trabalho, foi gente competente sendo deixada em paz para trabalhar.Até que não deixaram mais.
Por que o Ricardo da Fonseca entrou na política?
Eu tinha visto centenas de rostos naquela fila. Famílias que esperavam meses, às vezes anos, por uma cirurgia que devolveria a aquelas pessoas a oportunidade de viver sem ser olhado diferente.
Eu conhecia aquela fila porque, com uma equipe que acreditava na mesma coisa que eu, tínhamos conseguido zerá-la, em mais de um hospital do SUS, em mais de uma cidade.
E então, do dia para a noite, uma caneta de gabinete decidiu que cirurgias como aquelas eram “não essenciais”. A fila voltou. As pessoas continuaram esperando.
E eu entendi, ali, algo que a faculdade de medicina nunca me ensinou: o problema do Brasil raramente é falta de gente boa fazendo a coisa certa. É gente errada tendo poder demais sobre gente certa.
Ricardo da Fonseca trabalha na Polícia?
No meio desse período de pandemia, fui aprovado em concurso público para a Polícia Científica, onde atuo como médico legista.
Foi ali que a teoria virou carne, literalmente. Passei a examinar, de perto, o resultado final da violência que o noticiário resume em números. Mulheres. Crianças. Vidas interrompidas por um Estado que estava em outro lugar quando deveria estar presente.
Um laudo pericial não mente e não maquia. Ele mostra exatamente o tamanho do buraco que a insegurança e a desorganização do poder público deixam na vida real das pessoas, não na estatística, mas na mesa de necropsia.
O Ricardo da Fonseca está participando das eleições?
Não foi uma decisão fácil, nem rápida. Foi a soma de anos vendo o mesmo padrão se repetir: gente competente sendo barrada por gente acomodada; pacientes do SUS tratados como números, não como cidadãos; recursos públicos protegendo privilégios de corporações do funcionalismo em vez de proteger quem mais precisa.
Decidi entrar para a política pelo mesmo motivo que decidi ser médico: porque vi um problema que sabia que podia ajudar a resolver, e fiquei incomodado demais para ficar de fora.
Não venho da política. Venho da fila de cirurgia, da sala de necropsia, do plantão de hospital público. Venho de um lugar onde toda decisão tem consequência real, imediata, no corpo de alguém, não em uma nota de imprensa.
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Abaixo deixo alguns links falando sobre meu trabalho como médico atualmente:
https://drricardodafonseca.com.br/cirurgia-plastica-pediatrica/: Quem é Ricardo da Fonseca?https://drricardodafonseca.com.br/cirurgia-cranio-maxilo-facial/: Quem é Ricardo da Fonseca?https://drricardodafonseca.com.br/cirurgiao-plastico-curitiba-parana/: Quem é Ricardo da Fonseca?